Acho que já disse por aqui como adoro ruínas. Gosto da ideia de imaginar como eram aqueles lugares durante o auge. Imaginar como eram quando estavam inteiros e como as pessoas se comportavam ali. E com o Convento do Carmo, não é diferente. Um lugar com uma história tão interessante, bem no centro de Lisboa.

Mas não dá para falar do Convento do Carmo sem um pouco de história. Afinal, o Largo do Chiado, onde o Convento se encontra, foi ambiente de um dos acontecimentos mais icônicos de Lisboa

Revolução dos Cravos

Foi ali, no Largo do Chiado, em 1974, que aconteceu a famosa revolução em que, dos canos das armas, saiam flores e não balas. O objetivo: depor o regime ditatorial criado por António Salazar em 1933.

A população estava insatisfeita com tanta censura e proibições. A isso, se somava as guerras na África, que tentavam impedir a descolonização das colônias portuguesas e que causava, também, a insatisfação dos militares. Durante alguns anos, movimentos foram acontecendo para acabar com o regime. E então, na madrugada de 25 de abril, a senha para o início da revolução foi dada através de uma emissora de rádio. Tratava-se de uma música proibida pela censura: “Grândula Vila Morena”.

Os militares se posicionaram em frente ao palácio do governo, ocupando o Largo do Chiado. O Primeiro Ministro, Marcello Caetano, foi alertado às 4 horas da manhã sobre a revolução,mas só saiu do Quartel do Carmo às 19 horas. Durante todo esse tempo, apenas dois momentos de disparos de tiros. E a população, que havia sido alertada a ficar em casa, permanecia ali, ao lado dos militares.

Revolução dos Cravos
(Imagem: Reprodução Conexão Lusófona)

Existem várias histórias sobre quando os cravos foram entregues aos soldados e por quem. Mas, seja como for, os soldados colocaram as flores nos canos dos fuzis e ela ficou como o símbolo e nome da revolução.

Sempre que passo pelo Largo do Chiado, fico imaginando as pessoas acordando naquela manhã de 25 de abril e vendo o Largo cheio de militares. Toda a emoção e a esperança de ver o fim de uma ditadura, o fim do fascismo. Fico arrepiada só de imaginar!

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Igreja e Convento do Carmo

O Convento do Carmo, com seus belos traços góticos, foi construído no século XIV,  num local com grande significado para a Ordem Carmelita. Ele era composto pela igreja, sacristia, capítulo dos bispos, capítulo novo, refeitório, dormitório e claustro.

No entanto, desde o início da construção houveram grandes dificuldades técnicas, e os alicerces cederam por duas vezes. Por isso, há quem diga que sua destruição no Grande Terremoto de 1755 foi um sinal. Afinal, tudo aconteceu em um Dia de Todos os Santos, quando a Igreja estava tomada de pessoas e velas. E então, além do terremoto em si e do maremoto que o seguiu, o Convento do Carmo e grande parte de Lisboa foram tomados por um incêndio avassalador.

De qualquer forma, a construção da Igreja e do Convento do Carmo foi uma das maiores campanhas arquitetônicas que Lisboa já havia visto. Nessa obra, foi usado um grande contingente humano e várias novidades que haviam sido experimentadas no Mosteiro da Batalha.

A parte habitada do Convento do Carmo, foi convertida em instalações militares e foi ali que Marcello Caetano se refugiou durante a Revolução dos Cravos até a rendição.

O que resta hoje

Com o terremoto e o incêndio, grande parte da igreja ruiu, perdendo assim uma grande parte do seu valioso patrimônio. E, apesar de terem sido várias as tentativas de reconstrução, elas acabaram interrompidas, ficando o templo a céu aberto.

O espaço foi se degradando com o tempo, até que no século XIX, passou a abrigar o primeiro museu de Portugal. Esse pequeno museu arqueológico é situado no altar original da Igreja, que manteve a cobertura.

Hoje, as ruínas do Convento do Carmo formam uma das imagens mais lindas de Lisboa; uma comovente homenagem à devastação causada pelo terremoto.

Quando custa e quando ir

Atualmente o Convento do Carmo está aberto de segunda-feira a sábado:

  • Outubro a Maio: das 10h00 às 18h00
  • Junho a Setembro: das 10h00 às 19h00

E atenção: o museu não funciona nos feriados de 1º de Janeiro, 1º de Maio e 25 de Dezembro.

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O custo do bilhete, para adulto, é de € 4,00, sendo que crianças e adolescentes até 14 anos (acompanhados de um adulto) não pagam entrada. Para estudantes e idosos, o custo é de € 3,00; já portadores do Lisbon Card pagam € 3,20 pelo bilhete.

Para ter acesso às informações atualizadas, você pode consultar a página oficial do Museu Arqueológico do Carmo.

Aproveitando…

Você pode aproveitar a visita ao Convento do Carmo para ter uma das mais belas vistas de Lisboa. É ali do lado que fica o Elevador de Santa Justa. E você pode:

  • pagar o bilhete para andar no elevador
  • pagar apenas o bilhete que dá acesso ao miradouro
  • observar a vista do “hall” antes do elevador, que é gratuito. Para isso, basta contornar a Igreja em direção ao elevador e seguir as placas para o Restaurante Bellalisa Elevador.

O site da Carris conta um pouco mais sobre o elevador e os ascensores de Lisboa , com os preços das passagens e horários de funcionamento.

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