Pegamos um ônibus pela manhã em Puerto Viejo e chegamos em San José por volta das 13:30, no terminal da companhia Mepe. O ônibus para a Libéria sairia às 15 horas do terminal de outra empresa (são vários mini-terminais pela cidade), a 10 quarteirões dali. Poderíamos ter ido a pé, mas de mochila nas costas e com a informação de que aquele bairro poderia ser um pouco perigoso, preferimos pegar um taxi.

Antes mesmo de entrar no taxi, informamos ao motorista nosso destino e ainda comentamos que era bem pertinho no bairro mesmo, para evitar que ele desse aquela voltinha a mais pra aumentar a corrida. Depois que começou a andar, ele nos perguntou de onde éramos, fez uma brincadeirinha sobre o Rio de Janeiro e só então voltou no assunto do nosso destino. Disse que os motoristas daquela empresa tinham entrado em greve aquela manhã e o último ônibus tinha saído ao meio dia, mas poderia nos levar para pegar o ônibus em outro lugar.

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Achamos aquela história estranha, parecia o famoso golpe dos tuk tuks da Tailândia que falam que o templo está fechado por ser dia do Rei e, com isso, tentam levar o turista para uma loja de joias ou outro lugar onde vão ganhar uma comissão.

Como mostramos não acreditar muito, ele ligou para uma pessoa que pareceu confirmar o que estava dizendo. Em seguida, fez outra ligação, supostamente para a bilheteria da empresa, e me passou o telefone. A pessoa do outro lado da linha disse que não tinha mais ônibus naquele dia, saindo de San José, somente de outro lugar que não entendi o nome. Devolvi o celular ao taxista e ele esclareceu de onde sairia o outro ônibus: um terminal que fica em Alajuela.

O que ele não sabia é que a gente já tinha ido em Alajuela, a caminho do Vulcan Poás, e sabíamos que gastaríamos pelo menos 40 para chegar lá. Imagina o quanto ia dar essa corrida! No banco de trás eu e o Rafael nos olhávamos já pressentindo algo estranho. Vimos no mapa pelo GPS que ele havia desviado o caminho então fizemos ele parar o taxi e insistimos que iríamos para o terminal de San José. Precisávamos confirmar sobre a tal greve com outra fonte que não o motorista do taxi que queria nos levar para uma viagem de 40 minutos.

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Por fim, chegamos ao terminal, o motorista tirou nossas mochilas do bagageiro e saiu apressado, sem nem tentar pegar outro passageiro. Nesse momento, já tínhamos certeza de que ele havia tentado nos dar um golpe. Dito e feito: chegamos na bilheteria e não havia nenhuma greve de motoristas nem nada parecido, então compramos nossa passagem para o ônibus das 15 horas como havíamos planejado.

Analisando friamente, eram vários indícios de que era um golpe: era estranho pensar em greve de motoristas de empresa privada; se tivesse mesmo a greve, o taxista teria falado disso logo que explicamos para onde iríamos; era muita coincidência o taxista saber da greve de uma companhia específica, que teria começado há pouco mais de uma hora; mais coincidência ainda o taxista ter gravado na agenda do celular o telefone da bilheteria daquela empresa (quando ele me entregou o telefone, vi que o número estava gravado como “ticket”).

Porém, se não falássemos um pouco de espanhol, se já não tivéssemos uma certa desconfiança em relação a taxistas e se já não conhecêssemos Alajuela (para saber que era longe) poderíamos facilmente ter caído nesse golpe.

E você, já caiu em algum desses golpes contra turista?

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