Morávamos juntos em Belo Horizonte, no nosso apartamento de 3 quartos num bairro legal. Ele, um arquiteto com um recém formado escritório de arquitetura; eu, uma consultora tributária trabalhando há quase 5 anos numa multinacional. Tínhamos nosso carro, saímos com nossos amigos, assistíamos nossos seriados preferidos na TV a cabo ou no Netflix. Estávamos planejando nosso casamento. Poderia ser uma vida perfeita para um casal de 30 anos, mas no fundinho parecia ainda faltar alguma coisa e não eram os filhos – não ainda.

Então, quando o Rafael sugeriu viajarmos o mundo, ideia que pareceu loucura num primeiro momento, ele trouxe a solução para aquele problema que estava escondido, mas começando a aparecer. Viajar o mundo, conhecer lindos lugares, fazer tudo com calma, sem ter que espremer em uma semana o que deveria ser feito em um mês ou mais. Conhecer novas culturas, línguas e comidas. Sair totalmente da nossa zona de conforto e nos colocar, propositalmente, em situações “estranhas” que nos façam ver as coisas com outros olhos.

Mas e o apartamento, que havíamos reformado e decorado com tanto carinho? E o emprego, que consegui só depois de três tentativas do processo de trainee? E nossos amigos, e a família?

Não é atoa que o ditado já dizia: cada escolha, uma renúncia. No nosso caso, várias renúncias.

cofrinho

Juntar dinheiro em um ano para fazer essa lua de mel de doze meses não seria tarefa fácil. Considerando a nossa renda, precisaríamos reduzir os gastos ao mínimo necessário. Ficam o financiamento, o condomínio, a conta de luz e a previdência privada; saem a TV a cabo, o salão de beleza, os barzinhos, os restaurantes, e tantas outras gastos pequenos, mas que fizeram uma grande diferença.

Decidir passar um ano fora gerou também renúncias futuras. Com a compra da primeira passagem decidimos perder casamentos de amigos (um deles aconteceu apenas 5 dias depois de nossa partida), nascimentos e, potencialmente, o início da gravidez do primeiro sobrinho. Escolher fazer essa viagem de um ano foi abrir mão de um ano de convívio com nossos amigos e parentes, de perder todos os aniversários, Natal, dia das mães, dia dos pais…

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Ao colocar isso tudo na balança, pode parecer que ela tenderia para a escolha de “ficar no Brasil”. Mas o mundo é grande, lindo e qual a melhor hora de conhece-lo senão agora?

Então, escolhemos viajar, escolhemos uma lua de mel de doze meses pelo mundo e abrimos mão (pelo menos temporariamente) de tudo que não se encaixa nessa nova realidade.

Hoje completamos um mês na estrada e não temos mais dúvidas de que essa foi a decisão certa para nossas vidas. Claro que a saudade vai só aumentar daqui para frente (aliviando um pouquinho quando encontrarmos com alguns amigos e familiares pelo mundo), mas já vimos tantos lugares lindos e já aprendemos sobre tantas culturas diferentes que não dá vontade de parar.

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