Salento é, sem dúvida, uma cidadezinha super fofa. As casas antigas, com as faixadas todas coloridas e as ruas com mais pessoas do que carros nos lembraram as cidadezinhas históricas do interior de Minas. Mas o motivo de termos incluído Salento em nosso roteiro foi por ser a melhor cidade base para um passeio pelo Valle del Cocora.

O que ninguém nos contou – diretamente e nem em nenhum dos reviews que lemos por ai – era que esse passeio poderia se transformar em uma verdadeira aventura quase perigosa.

valle-del-cocora-1

O início foi super tranquilo: pegamos o carro na praça principal da cidade, com mais 11 pessoas, e pagamos 3.600 Pesos Colombianos por pessoa (o que hoje corresponde a aproximadamente 1,30 Dólares). Depois de uns 20 minutos, o carro parou em um campo gramado, ao lado de umas lojinhas bem rústicas e uma estrada. Algumas pessoas ofereciam o passeio a cavalo, mas dispensamos.

Subindo a estrada, um mapa que teoricamente nos mostraria o caminho a seguir. Pegamos uma estradinha e fomos andando devagar, tirando fotos e curtindo a paisagem, então em pouco tempo os outros turistas já tinham saído do nosso campo de visão. Mas pensamos que não teria problema, já que queríamos curtir as prometidas 4 horas de passeio.

valle-del-cocora-5

As primeiras duas horas foram dentro do esperado, com um pouco de chuvisco, umas pontes de madeira meio duvidosas, tudo deixando a experiência no meio da mata bem autêntica. O grande problema era a falta de sinalização quando o caminho bifurcava, já que as únicas placas indicavam para a Casa dos Colibris.  Seguimos a dica recebida no dia anterior: subir pela direita e descer pela esquerda, o que coincidia com a direção das placas.

valle-del-cocora-4

O que era um chuvisco se transformou em uma chuva forte, mas resolvemos passar direto da Casa dos Colibris e continuar a subida. Porém ela estava cada vez mais íngreme e a chuva não parecia querer parar. Sem ninguém à vista, resolvemos descer de volta e ir para a tal casa dos Colibris, onde pagamos 5.000 Pesos Colombianos cada, para ver os pássaros e ganhar um chocolate quente. Mas na verdade, essa pausa serviu para descansar um pouco, ver pessoas e ficar num lugar seco por alguns minutos.

LEIA TAMBÉM:   Khao Sok: aventura no parque nacional

Percebemos o movimento de duas pessoas que pareciam querer voltar e chegar ao topo, enquanto a maioria parecia ter desistido e querendo voltar. Nos juntamos a eles, um dinamarquês e uma alemã, e fomos enfrentar a chuva e uma subida cada vez mais difícil pela inclinação e pela lama que se formava. Até que, uma hora depois, encontramos uma moça vindo na direção contrária e que deu uma notícia que partiu nossos corações: estávamos no caminho errado, muito errado!

valle-del-cocora-2

Tivemos que voltar e não tínhamos mais tempo de pegar o caminho certo. Não escorregar naquela lama exigia muita concentração e, com a chuva, o rio subiu e algumas passagens de pedra e madeira ficaram submersas. Chegamos no campo para pegar o carro com sapatos molhados, roupas sujas de lama e aquele misto de felicidade (gerada pela adrenalina da aventura e pelas paisagens lindas que vimos) e de frustração (de quem caminhou cerca de 10 quilômetros durante 6 horas e não chegou no lugar desejado).

Write A Comment